O LÍDER COMO ACELERADOR DE RESULTADOS

por Marcos Kraide

Imagine a seguinte cena: Você é chamado pelo seu gerente, numa reunião a portas

fechadas, para lhe dizer o quanto está desapontado com o seu desempenho profissional.

Na verdade, ele já estava lhe tratando com certa indiferença, conversava com seus pares,

cobrava serviços e os orientava, mas, praticamente ignorava a sua presença, o que lhe

causava inquietação e desconforto. Era, talvez, mais forte do que isso. Você vivia um

momento de insegurança nunca antes experimentado.

Você sempre soube das suas limitações. Tinha uma dificuldade crônica de

concentração, não conseguia impor-se aos seus subordinados, não terminava grande

parte das tarefas que iniciava e, sobretudo, não conseguia entender porque tinha de fazê-

las.

Lá no fundo, você já tinha uma clara noção de que não atendia ao que era esperado pela

empresa e temia que, mais cedo ou mais tarde, a sua apatia e a falta de resultados

colocaria em risco o seu emprego.

O seu conhecimento técnico assim como a suas habilidades de gestão podiam ser

considerados medianos, uma vez que havia colegas de trabalho aos quais ajudava,

enquanto, em outros momentos, necessitava do precioso auxílio daqueles a quem

considerava mais experientes.

Vamos congelar, por um momento, esta sua reunião com sua chefia, para convidá-lo a

conhecer um interessante conceito de desempenho pessoal, que poderá, facilmente,

influenciar o seu desempenho profissional.

Hoje é de conhecimento geral a grande diferença existente entre a eficiência e a

eficácia: O Eficiente executa com maestria suas tarefas, embora não necessariamente

tenha o devido foco para o que deve ser, indiscutivelmente, realizado. Já o Eficaz,

executa, com grande habilidade, “as tarefas que precisam ser feitas”.

Quando visitamos empresas de diversos portes, pertencentes a diferentes ramos, sejam

elas públicas ou privadas, produtoras de bens ou prestadoras de serviços, encontramos

uma linha comum, pois onde encontramos pessoas, existe uma similaridade de

comportamentos.

O fato é que as pessoas estão, em sua maioria, desmotivadas. Creio que não erraremos

se creditarmos essa desmotivação a três principais fatores: A tristeza, o comodismo e o

mau humor.

Eu acredito que as pessoas estão mais tristes por não se sentirem respeitadas, por não

verem perspectivas de desenvolvimento, por viverem num ambiente em que os

princípios básicos já estão esquecidos e, sobretudo, por não serem lideradas por alguém

que lhes inspire confiança.

Penso que as pessoas estão mais acomodadas por não verificarem uma relação direta

entre o seu empenho pessoal, sua dedicação e seu comprometimento e a sua progressão

de carreira. Acomodam-se por não verem horizontes que as estimulem, por serem

conduzidas por chefias que não se arriscam, não se comprometem e não vibram com as

conquistas da Organização.

E, finalmente, encontramos um mau humor constante e o que era antes a marca

registrada de poucos, hoje já se tornou lugar comum. Cada um cuida de si e ninguém se

sente responsável pela construção de um ambiente agradável, tranquilo e motivador para

se trabalhar.

Se analisarmos o perfil dos profissionais de sucesso, iremos fatalmente verificar que

eles têm algumas linhas de conduta comuns. Uma delas é, exatamente, o fato de terem

buscado adquirir competência técnica, o que lhes permitiu ter autoridade sobre seus

comandados. Ninguém admira um superior hierárquico que desconhece os principais

pilares das atividades sobre a sua responsabilidade.

Entre as décadas de 80 e 90, para ser considerado um Líder de alta competência, o

profissional precisava ser um grande especialista em sua área. Já no início dos anos

2.000, o Gestor de sucesso era um generalista, que deveria ter, sob o seu comando,

grandes especialistas. Nos tempos atuais, é sabido que o Líder de sucesso deverá ter

desenvolvido um significativo conhecimento em diversas áreas de atuação, tornando-se

então um “multi-especialista”.

O Líder de sucesso também se tornou um especialista na gestão de pessoas. Ele entende

o comportamento humano, interage livre e intensamente num raio de 360 graus,

contemplando seus superiores hierárquicos, seus pares e seus subordinados, além de

relacionar-se de maneira respeitosa e proativa com o público externo, clientes,

fornecedores, governo e comunidade em geral.

Essa composição multifacetada amplia, de maneira espetacular, a sua competência de

gestão voltada a resultados. Ele não só tem sucesso nas atividades sob a sua

responsabilidade como se torna um exemplo a ser seguido. Ele é admirado e não

temido. Ele produz soluções e não desculpas.

Eu chamo uma pessoa como esta de “Acelerador de Resultados”!

Se procurarmos pelo significado da palavra Acelerar, no dicionário Aurélio,

encontraremos “Ato de tornar mais rápido, impulsionar, levar para frente…”.

Em nossa visão, o Acelerador de Resultados é aquele que faz acontecer, através de uma

visão diferenciada, do comprometimento pessoal, da auto motivação, da sua influência

pessoal e da sua capacidade de perseverança.

Na verdade, é inevitável sentir uma de duas dores: a dor da perseverança, pois de fato

não é fácil persistir até o alcance de seus objetivos, ou a dor da frustração, que acomete

aqueles que, por não resistirem às dificuldades que o mundo real nos apresenta, ficam

distantes de onde gostariam de chegar.

Conduzimos uma interessante pesquisa junto a grupos informais de Recursos Humanos,

pedindo que classificassem os gestores das suas Organizações de acordo com sua

capacidade de gerar resultados. O produto final foi, em números arredondados,: 30%

não atendem as expectativas da empresa e correm risco de substituição, 45% são

considerados bons e competentes, 20% são eficazes e apenas 5% podem ser

considerados “Aceleradores de Resultados”.

E pensar que são esses 5% que carregam a Organização nas costas, fazendo acontecer

com visão diferenciada, comprometidos, auto motivados e perseverantes!

O Líder Acelerador de Resultados é muito rápido para entender o que se espera dele, e

depois demostra uma espetacular habilidade para produzir e entregar os resultados

solicitados. Ele não precisa de alguém para motivá-lo porque, há muito, já entendeu que

a vida é feita de escolhas e que cada um deve responder por elas. Este é o fundamento

da auto motivação.

Esse profissional diferenciado trata os assuntos sob a sua responsabilidade com a devida

prioridade, sempre com uma perfeita Atitude de Dono. Ele se incomoda quando verifica

que outros profissionais, seus pares ou mesmo sua chefia direta não tratam as questões

decisivas da empresa com a devida atenção e respeito.

Ele tem uma genuína preocupação em conhecer cada componente da sua equipe de

trabalho e, a partir daí, preocupar-se com o desempenho de cada um deles. Este Líder

tão especial sabe beber na fonte das inspiradas palavras de Sam Walton, o legendário

fundador da “Rede Walmart”, guiando-se pelo seu conceito básico: “Cuide das pessoas

e então elas cuidarão da empresa”…

Ele sabe que cada pessoa é o resultado das suas experiências passadas, que foi moldado

pelas suas conquistas e também pelas suas frustrações, tornando-se um ser único e

inimitável. Como consequência, domina o conceito de que cada pessoa tem uma

motivação diferente para se comportar e sendo assim ele deverá tratar igualmente os

desiguais. Mesma atenção para com todos, considerando as suas individualidades.

Ele sabe que cada comportamento é fruto de alguma crença, muitas vezes tão arraigada

que se torna praticamente impossível mudar. Entretanto, se descobrir o que uma pessoa

pensa sobre qualquer assunto, poderá provocar uma releitura desse pensamento, com

efeitos sobre o sentimento desta pessoa e, consequentemente, sobre a sua maneira de

agir.

Deste modo, este Gestor se firma como um legítimo agente de mudança. Ele também se

utiliza da sabedoria de George Bernard Shaw, que diferenciava aqueles que, olhando

para uma situação se perguntavam: “Por que?”, de outros que preferiam perguntar: “Por

que não?”.

O Líder Acelerador de Resultados é inovador e não só provoca as pessoas à sua volta

para praticar o pensamento divergente como é um ícone da Criatividade. Ele tem uma

rara capacidade visionária e sai em busca de novos horizontes, raramente visitados,

conduzindo com arrojo, mas com segurança, cada um dos seus liderados.

O ambiente corporativo se mostra, com certa frequência, um devorador de boas

intenções. Profissionais inicialmente motivados, tão cheios de energia e de boas

intenções são rechaçados por uma verdadeira plêiade de destruidores de sonhos, de

assassinos de novas ideias. Pessoas acomodadas em suas zonas de conforto, zombam e

diminuem aqueles que trazem os ventos da mudança, numa mal disfarçada intenção de

garantir que as tradições sejam mantidas.

Neste contexto é que o Líder Acelerador de Resultados, mais do que nunca, utiliza a sua

ferramenta da auto motivação. Ele tem uma profunda consciência da razão pela qual ele

propõe mudanças e o que o torna estruturado e blindado às investidas dos inimigos do

novo é a sua crença inabalável de que está lutando o bom combate. Que pensa com a

cabeça do dono da Organização, ou dos acionistas, nunca erra. E, naturalmente, a

capacidade de empatia de um Líder especial como este é mais uma das suas poderosas

armas.

Este Líder sabe, como poucos, ouvir com empatia. Não se trata de apenas fingir escutar,

escutar seletivamente ou mesmo escutar atentamente. Trata-se de se colocar no lugar do

outro, para então sentir os seus sentimentos, entender seus pensamentos e compreender

seus comportamentos. Quando alguém procura nos ouvir dessa maneira, passa a ter uma

inquestionável autoridade sobre nós e então nós lhe entregamos nossos dons

voluntários, tais como a nossa fidelidade, a nossa cumplicidade, a nossa parceria e a

nossa criatividade. Esses dons, por serem voluntários, ninguém os entrega à força,

apenas quando nos conquistam pelo respeito e consideração.

As pessoas não gostam de temer seus Líderes, mas preferem admirá-los, tê-los como

modelos, como exemplos a serem seguidos. Esses Aceleradores de Resultados deixam

um poderoso legado, que perdura até mesmo quando já deixaram a empresa. Eles

continuam influenciando seus seguidores, pois o seu estilo de gestão nunca foi marcado

pela opressão, mas pelo convencimento, nunca pela pressão, mas pelo apelo a nobres

causas.

Existe um aspecto digno de nota, e que nos reporta à existência do claro e do escuro, do

alto e do baixo, do bem e do mal. A existência de opostos nos permite entender que, a

exemplo de convivermos com Aceleradores, também o fazemos com verdadeiros

“Desaceleradores” de Resultados…

O Desacelerador representa um bloqueio à criatividade, é um destruidor de ambientes,

atrapalhando o seu próprio desenvolvimento, o da equipe e o da própria empresa.

Normalmente está bastante desmotivado e não almeja grande crescimento na carreira,

embora faça de tudo para preservar a sua posição.

Lamentavelmente, muitas vezes estes estão personificados em nossos chefes imediatos,

nossos superiores hierárquicos… É muito triste, é desanimador, é de fato frustrante.

Quem deveria ser o nosso modelo, age como um anti-herói, uma verdadeira parede a se

antepor entre as nossas boas intenções e o nosso sucesso. Muitas vezes, esses

profissionais se divertem promovendo a discórdia entre os membros da sua equipe, pois

sendo assim se sentem mais seguros de que a sua ineficiência e incapacidade de gestão

possa ser verificada. Uma equipe desunida, fragmentada e infeliz, não questiona e não

busca a melhoria individual e do grupo.

Não é incomum que Desaceleradores de Resultados ajam com deslealdade, tecendo

comentários desairosos sobre seus subordinados, na perversa intenção de evitar que

estes possam representar risco ao cargo que ocupam. Querem diminuir a concorrência e,

ao invés de buscarem uma crescente capacitação, preferem impedir o crescimento

daqueles que trabalham sob as suas ordens.

Ah! Quanto se perde nas Organizações graças à perniciosa ação dos Desaceleradores…

Se as empresas tivessem uma maior consciência da sua existência e, ao identifica-los, os

retirasse de seus quadros, permitiriam que verdadeiros agentes da mudança fossem

instalados em cargos chaves, invertendo o modelo de gestão que drena a energia

produtiva, para promover gestores verdadeiramente comprometidos com a lucratividade

e a perenidade da Organização.

Felizmente, existem os Líderes Aceleradores e eles têm conduzido suas equipes ao

pleno sucesso. À medida em que forem sendo multiplicados, maiores conquistas virão e

muitas empresas já investem neste eficiente modelo de gestão. Normalmente, o que

vemos é que os Líderes Desaceleradores não suportam ter sob a sua tutela colaboradores

proativos e agentes de mudança.

Já os Aceleradores procuram montar uma equipe de vencedores, construindo um

ambiente espetacular para se trabalhar. O que sustenta estes dois modelos, tão

divergentes, é exatamente a estrutura psicológica do Gestor em questão. Quanto mais

seguro e confiante ele se sente, menor é o medo de ser suplantado por seus liderados e aí

então o que se vê é uma relação em que todas as partes envolvidas são beneficiadas.

Uma grande verdade que permeia a condição humana é que o sucesso se alimenta do

sucesso e quando alguém se torna bem sucedido, acontecem alguns “milagres”. Por um

lado, quem tem sucesso se torna refém de uma imagem vencedora e passa então a não

aceitar nada menos do que renovadas situações de conquista. Por outro lado, como o

sucesso é muito reconhecido socialmente, o vencedor é tratado com prestígio e

referendado como um modelo a ser seguido.

Lamentavelmente, o fracasso também se alimenta do fracasso e aquele que não atinge

conquistas tem sua auto estima rebaixada e não recebe nenhum tipo de incentivo social.

Ao contrário, ele passa a ser ignorado, esquecido e depreciado.

Você conhece alguém com o perfil de um Acelerador de Resultados? O seu estilo de

liderança contempla essas qualidades? Ou você ainda está esperando que alguém baixe

dos céus para motivá-lo, para lhe ensinar a ver além da sua área de responsabilidade ou

mesmo para lhe ensinar os benefícios da perseverança?

Voltando agora para a estória do começo desta nossa conversa, você acredita que o

gestor que foi chamado pelo seu gerente era um Acelerador de Resultados? É certo que

não. E como ele não foi demitido, ainda terá uma chance para desenvolver novas

competências, mais adequadas para as necessidades da empresa de hoje.

Entretanto, numa realidade tão dinâmica, veloz e caótica como a que caracteriza o atual

mundo corporativo, é melhor que este nosso gestor acelere, pois saiu muito depois dos

que já são considerados geradores de resultados!